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O Líbano

O L�bano

Há na embocadura do Rio Cão, a 15 km ao norte de Beirute, no Líbano, um museu ao ar livre que não tem similar no mundo. Compõem-se de umas 20 inscrições na rochas grands que beiram o rio. 20 incrições que se estendem sobre apenas 30 metros, mas abrange mais de 3.250 anos de história: desde o faraó Ramsés II (1298-1232 a.c.) até os australianos da II Guerra Mundial, passando por Nabucodonossor, Caracala, Napoleão III e tantos outros.
Toda a longa história do Líbano se resume neste museu. Terra privilegiada pela sua localização entre a Europa, a Ásia e a África, o Líbano tem sido cobiçado e agredido por todos os grandes impérios desde o começo dos tempos.
Como conseguiu este pequeno país sobreviver a tantos abalos? Graças, principalmente, a dois fatores: sua alma dotada e indomável que fez dizer ao grande escritor francês Lamartine: "Conheci a Itália, toda a Itália. Conheci a Saboia, como conheci Atenas e o Olimpo! Mas nunca senti tão profundamente a glória de ser um homem como na austera grandeza das montanhas do Líbano."
O outro privilégio que a natureza outorgou ao Líbano foi sua constituição geográfica: O Líbano é uma montanha à beira do mar. Nas calamidades, os libaneses se refugiavam na sua montanha como uma fortaleza. E os conquistadores, após dominar a costa e perpetuar na rocha a lembrança de suas glórias efêmeras, passavam.
A montanha, contudo, ao proteger o Libanês tornou-se um lugar de encontro entre as raças e as civilizações, onde algo mais importante que as riquezas permanecia dos impérios sucessivos: um amadurecimento político e humano, uma certa filosofia de vida, uma fibra inquebrantável.
A 22 de novembro de 1943, com mais uma inscrição na embocadura do Rio do Cão, o Líbano readquiriu sua plena independência, no término do mandato francês. E o que ele fez dessa independência, testemunha de como os séculos e a experiência dos séculos o haviam preparado para o auto-governo e o progresso.
De 1943 a 1975, econômica, política e culturalmente, o Líbano foi a mais fina flor das civilizações oriental e ocidental, reunidas naquela terra da hospitalidade e do intercâmbio, igualmente próxima da tecnologia da Europa e dos milhões de dólares gerados pelo petróleo árabe - e das cidades sagradas (Jerusalém, Belém, Meca) onde nasceram as três grandes religiões do mundo.
O Líbano, que não fabrica carro algum, tinha mais carros por mil habitantes do que grandes fabricantes de carros como a Itália, a Rússia, o Japão. Dizia o jornalista britânico F. Edwards que "Beirute tinha mais milionários por quilômetro quadrado do que qualquer outra parte do mundo, com exceção de Nova Iorque."

Três Universidades, libanesa, francesa e americana, e grandes escritores em vária línguas como Gibran faziam de Beirute o centro cultural mais cosmopolita do Oriente Médio. Por outro lado, as lutas políticas e as conquistas sociais se processavam dentro de instituições democráticas, respeitadas por todos. Ao longo de 32 anos, nenhum presidente da República foi derrubado ou de manteve no poder além de seu mandato. Nenhum golpe de Estado perturbou a evolução do país.
O Líbano tornou-se um modelo internacionalmente citado. "O Líbano que nos hospeda, dizia o chefe da missão do Luxemburgo perante a UNESCO reunida em Beirute em 1948, nos ensina como as nações devem viver em paz. Apesar de sua diversidade de raças e de religiões, de sua variedade de civilizações orientais e ocidentais, o Líbano vive em paz porque o libanês sabe respeitar as crenças e as liberdades políticas de seus compatriotas, sem faltar aos próprios deveres."
Infelizmente, mais uma vez, o jogo das potências no Oriente Médio envolveu o Líbano. Os conflitos armados entre israelenses e palestinos, procurando ambos apodera-se da Palestina, vizinha do Líbano, atingiram aquele pais. De 1975 a 1996, foi ele alvo de uma agressão após a outra. Resultaram nele muitas destruições e muitas vidas ceifadas. A sua imagem, que refletia a vida com as cores radiantes da alegria, do equilíbrio e da prosperidade, acabou por assemelhar-se a um espelho quebrado em mil pedaços. Em 1996, Israel invadiu-o pela segunda vez, impondo-lhe mais sofrimentos e desgraças.
Assim mesmo, como em circunstâncias anteriores, o Líbano não foi aniquilado. Sua alma e sua posição geográfica o salvaram.
E as potências ocidentais, sentindo a afinidade que existe entre suas civilizações e a do Líbano, vieram a seu socorro.
A partir de 1997, apesar de continuar Israel a ocupar parte do sul e a Síria exercer sua influência e, às vezes, sua vontade em todo o país, as instituições democráticas voltaram a funcionar. O poder voltou a ser exercido por um presidente eleito por um Parlamento, o qual é eleito por sua vez pelo povo. Todas as cidades, desde Beirute até as aldeias montanhosas, começaram a expandir-se dia a dia. Simbolicamente, o preço do dólar caiu de 3.000 libras libanesas para 1200. Simbolicamente também, os partidos políticos passaram a integrar cristãos e muçulmanos, substituindo na vida política as comunidades religiosas.
Diante deste renascimento do Líbano, a revista francesa L'Express escreveu: "Pensávamos que o Líbano não existia mais, desmembrado pelas facções antagônicas e pelo caos das armas. Mas que magia! O povo está conseguindo recuperar uma vida normal."
Quantas vezes, esses fenômenos (prosperidade, agressão, libertação, prosperidade ...) se sucederam ao longo da história do Líbano! Na última bela época, a revista americana Time, chegou a chamar o Líbano de país paraíso. Depois vieram outras agressões e destruições. Será que essa sinistra sucessão continuaráindefinidamente? Ou chegará um dia em que deixarão o Líbano se tornar e permanecer um país-paraíso?

Mansour Challita, jornalista e escritor, é presidente da Associação Cultural Internacional Gibran, com sede no Rio de Janeiro.

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